Pensamentos soltos mas nem tanto...



terça-feira, 6 de julho de 2010

Esvaziamento

por Gina


De repente você se pega num silêncio interno. Um não querer saber e não querer pensar. Simplesmente parada, sem duvidar, sem acreditar, parada num “não sei” estático e confortável. O dia passa, igual. Não ruim, nem tão bom, igual. Amanhece e anoitece, novamente. Alguns chamam isso de equilíbrio. Eu, chamava de mediocridade.

Aprendi a ser medíocre, eu que antes era contestadora, rebelde, “a revoltada”, transgressora, inquieta e conseqüentemente, chata, estou medíocre, morna, bege. “Meus cavalos” (impulsos) pastam bovinamente com as crinas escovadas, relincham de tédio, contidos e domados, quase pangarés. E assim vou vivendo um dia depois do outro e um de cada vez.

Eu que antes tinha 30 e poucos e hoje trinta e um pouco mais: MATURIDADE. Complacência com a vida. Uma doce aceitação de mim mesma, benevolente. O incomodo deu lugar ao aconchego, a busca frenética cedeu à resignação. É o tal caminho do meio, que suporta e acolhe, sem tantas curvas, sem atalhos, sem chegar a lugar algum, leva e vai levando. E a gente vai se acostumando, vai cabendo e esvaziando. Os valores vão mudando e aquilo que era vital, torna-se importante e o que era importante vira trivial. E a vida ganha uma suavidade capaz de perdoar tudo.